COSTA CONTINENTAL PORTUGUESA (IX)
 
O Continente situa-se numa zona de transição para ecossistemas mais quentes, o que se traduz por uma elevada diversidade de pescado, mas uma relativa pouco abundância de cada espécie. Embora as subáreas dos Açores e da Madeira da Zona Económica Exclusiva possuam elevadas dimensões, apresentam reduzidas áreas de pesca com plataformas continentais pouco extensas, seguidas de elevadas profundidades e com algumas fragilidades a nível biológico. Estas características naturais traduzem-se numa menor riqueza piscícola relativamente às restantes zonas de pesca comunitárias.
 
Estes fatores determinam a abundância de pequenos pelágicos, como a sardinha, que habitualmente tem representado mais de 40% das quantidades totais capturadas, e uma diversidade específica considerável, cuja abundância é determinada pela batimetria, condições hidrológicas e natureza dos fundos, especialmente no que se refere às espécies demersais. Nas regiões insulares, face aos condicionalismos de ordem física e biológica, as capturas assentam num conjunto muito limitado de espécies, algumas delas sujeitas a fluxos migratórios (como por exemplo os tunídeos) ou cujo ciclo de vida não é ainda bem conhecido (peixe espada preto).
 
No Continente as principais áreas de pesca localizam-se na zona costeira, principalmente até às 6 milhas, onde a frota local opera quase exclusivamente.
 
Os principais recursos explorados pela frota portuguesa, no Continente, são os pequenos pelágicos como a sardinha, o carapau e a cavala, mas os mais importantes em termos económicos são os demersais como o polvo, a pescada, a gamba e o choco.
 
Outras espécies importantes na captura, que são objecto de pesca dirigida, são o peixe-espada-preto, no âmbito de uma pescaria de profundidade, e o espadarte e os tubarões, pescados com palangre de superfície.
 
A frota nacional é composta, predominantemente, por embarcações de pequeno porte (cerca de 91% com comprimento de fora a fora inferior a 12 metros) que operam com diversas artes como redes de emalhar e de tresmalho, armadilhas e artes de pesca à linha, na zona mais costeira e, normalmente, até às 6 milhas.
 
Este tipo de pesca designa-se por pesca polivalente. Os outros principais métodos de pesca usados são o arrasto, que captura carapau, pescada, tamboril, crustáceos e outros demersais, e o cerco, que pesca pequenos pelágicos.
 
Em águas interiores não marítimas (rios, rias, lagoas sob jurisdição das Capitanias) são ainda relevantes algumas pescarias dirigidas a espécies migradoras como o sável, a lampreia ou a enguia.
Nestas zonas, e também na orla costeira, são praticadas atividades de apanha de animais marinhos, como o percebe, o mexilhão, as conquilhas, o berbigão e outros bivalves, e de pesca sem auxilio de embarcação (majoeiras, arrasto de cintura).
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